O que podemos dizer dos espíritos angélicos? A fé diz-nos que eles gozam da presença e da visão de Deus, que possuem uma felicidade sem fim, aqueles bens do Senhor que «nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem» (1Cor 2.9). O que pode um simples mortal dizer sobre este assunto a outros mortais, ele que é incapaz de conceber tais coisas?
Se é impossível falar da glória dos santos anjos em Deus, podemos pelo menos falar da graça e do amor que eles manifestam relativamente a nós, pois gozam, não apenas de uma dignidade incomparável, mas também de um espírito de serviço cheio de bondade. Não podendo compreender a sua glória, deixamo-nos prender tanto mais fortemente à misericórdia destes familiares de Deus, cidadãos do Céu e príncipes do Paraíso.
O apóstolo Paulo, que contemplou a corte celestial e conheceu os seus segredos (2Cor 12.2), atesta que todos os anjos são «espíritos ao serviço de Deus, enviados para exercer um ministério ao serviço daqueles que hão de herdar a salvação» (Hb 1.14). Não tomeis tal afirmação por inconcebível, pois o Criador, o próprio Rei dos anjos, «não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos» (Mc 10.45). Que anjo desdenharia pois tal serviço, onde o precedeu Aquele que os anjos servem no Céu com pressa e alegria?
Bernardo de Claraval (1091-1153). Cisterciense. (mesmo autor do hino evangélico: "Fronte ensanguentada").
Sem comentários:
Enviar um comentário