«Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos ou terras por causa do meu nome receberá cem vezes mais» (Mt 19,29)
quinta-feira, 27 de outubro de 2022
"Quem amar o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim"
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
O Fariseu e o Publicano
Um fariseu e um publicano subiram ao Templo para a oração. O fariseu começa por enunciar as suas qualidades: «Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano». Miserável, que te atreves a julgar todo o mundo! Porque desprezas o teu próximo? E ainda tens necessidade de condenar o publicano! Acusaste todos os homens, sem exceção: «por não ser como os outros homens, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos». Infeliz! Quanta presunção nestas palavras!
O publicano, que ouviu esta oração, podia ter respondido: «Quem és tu, para te atreveres a proferir tais murmurações sobre mim? Donde me conheces? Nunca viveste no meu meio, não pertences ao grupo dos meus amigos. A que se deve tamanho orgulho? Aliás, quem pode comprovar as tuas boas ações? Porque fazes o elogio de ti próprio e quem te incita a gloriares-te desse modo?». Mas não fez nada disso; muito pelo contrário: prostrou-se por terra e disse: «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador». Porque fez prova de humildade, saiu justificado.
O fariseu abandonou o Templo privado de absolvição, enquanto o publicano se foi embora com o coração renovado pela justiça. E, no entanto, não havia nele ponta de humildade, no sentido em que usamos este termo quando algum nobre se abaixa do seu estado. No caso do publicano, não era de humildade que se tratava, mas de simples verdade: ele dizia a verdade.
João Crisóstomo (c. 345-407). presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla. Sermões sobre a conversão, 2.
sábado, 22 de outubro de 2022
Líderes do Estado e Líderes da Igreja diante da Palavra Soberana
terça-feira, 18 de outubro de 2022
Esta noite terás de entregar a tua alma
Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo assemelha-se àqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer.
A vida do mundo que há de vir assemelha-se àquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e nada falta. Portanto, enquanto estivermos no seio da mudança, estejamos atentos a nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentar o bem que fazemos e apagar os defeitos da nossa conduta anterior. Enquanto estivermos neste mundo, Deus não coloca o seu selo sobre o bem ou sobre o mal; só o fará na hora do nosso êxodo, quando a obra estiver acabada, no momento da partida.
Como disse Efraim: "a nossa alma é como um navio pronto para a viagem, mas que não sabe quando virá o vento; ou como um exército, que não sabe quando vai soar a trombeta a anunciar o combate". Se ele fala assim do navio ou do exército, que esperam uma coisa que talvez nem chegue, quanto mais não teremos nós de nos preparar com antecedência para que não nos surpreenda esse Dia em que será lançada a ponte e se abrirá a porta do Mundo Novo! Cristo, o Mediador da nossa vida, permita que estejamos preparados.
Isaac, o Sírio (século 7). Próximo a Mossul. Discursos, 1.ª série, n.º 38.
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
A Ele toda a Glória!
Aquele que agora desprezas está acima de ti; Aquele que agora é homem é eternamente perfeito. Ele era no princípio, sem causa; depois, submeteu-Se às contingências deste mundo. Fê-lo para te salvar, a ti que O insultas, a ti que O desprezas só porque Ele tomou a tua natureza.
Ele foi envolvido em panos mas, ao levantar-Se do túmulo, libertou-Se da sua mortalha. Deitaram-no numa manjedoura, mas foi glorificado pelos anjos, anunciado por uma estrela, adorado pelos magos. [...] Teve de fugir para o Egito, mas libertou esse país da superstição. Não tinha «forma nem beleza» (Is 53,2) diante dos seus inimigos, mas para David era «o mais belo dos filhos dos homens» (Sl 45.3) e resplandeceu no alto do monte, mais deslumbrante que o Sol (Mt 17.1). Como homem foi batizado, mas como Deus apagou os nossos pecados; não precisava de ser purificado, mas quis santificar as águas. Como homem foi tentado, mas como Deus triunfou, Ele que «venceu o mundo» (Jo 16.8).
Teve fome, mas alimentou milhares, Ele que é «o pão vivo descido do Céu» (Jo 6.48). Teve sede, mas exclamou: «Se alguém tem sede, que venha a Mim e beba» (Jo 7.37). Conheceu a fadiga, mas é o repouso de todos os que «andam sobrecarregados e abatidos» (Mt 11.28). Deixou que Lhe chamassem «samaritano e possesso do demónio» (Jo 8.48), mas é Ele quem salva o homem que caiu nas mãos dos salteadores (Lc 10.29ss) e afugenta os demónios. Ora, mas é Ele quem escuta as orações. Chora, mas é Ele que faz cessar as lágrimas. É vendido por preço vil, mas é Ele que resgata o mundo e por um grande preço: o seu próprio sangue.
Como ovelha é conduzido à morte, mas foi Ele quem conduziu Israel às verdadeiras pastagens (Ez 34.14), tal como hoje o faz com toda a Terra. Como cordeiro cala-Se, mas é a Palavra Viva anunciada pela voz daquele que clama no deserto (Mc 1.3). Foi enfermo e ferido, mas é Ele que cura todas as doenças e enfermidades (Mt 9.35). Foi elevado sobre o madeiro e nele foi pregado, mas é Ele quem nos restaura pela árvore da vida. Morreu, mas faz viver e destruiu a morte. Foi sepultado, mas ressuscitou e, subindo ao Céu, liberta as almas do inferno.
Gregório de Nazianzo (330-390AD). Pai da Igreja. 3.º discurso teológico
quarta-feira, 12 de outubro de 2022
A multidão glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens
O paralítico incurável estava deitado no seu catre. Depois de ter esgotado a arte dos médicos, foi levado pelos seus ao único médico verdadeiro, o médico que vem do Céu. Mas, quando foi colocado em frente daquele que o podia curar, foi a sua fé que atraiu o olhar do Senhor. Para mostrar claramente que esta fé destruía o pecado, Jesus declarou imediatamente: «Os teus pecados estão perdoados». Dir-me-ão talvez: este homem queria a cura da sua doença; porque foi que Cristo lhe anunciou a remissão dos seus pecados? Foi para aprenderes que Deus vê o coração do homem no silêncio e sem ruído, que Ele contempla os caminhos de todos os viventes. A Escritura diz, com efeito: «O Senhor olha atentamente para os caminhos do homem e observa os seus passos» (Prov 5.21). [...]
No entanto, quando Cristo disse: «Os teus pecados estão perdoados», deixou campo livre à incredulidade da assistência, pois o perdão dos pecados não se vê com os olhos da carne. Quando o paralítico se levanta e anda, manifesta com evidência que Cristo possui o poder de Deus. [...]
Quem possui este poder? Só Ele ou também nós? Nós também, com Ele. Ele perdoa os pecados porque é o homem-Deus, o Senhor da Lei. E nós recebemos dele esta graça admirável e maravilhosa, porque Ele quis dar ao homem este poder. Com efeito, Ele disse aos seus apóstolos: «Em verdade vos digo: tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu» (Mt 18.18). E ainda: «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20.23).
Cirilo de Alexandria (380-444) - Comentário ao evangelho de Lucas, 5.
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
O Cordeiro solitário
Como vaca rebelde, se rebelou Israel; será que o SENHOR o apascenta como a um cordeiro em vasta campina? Os 4.16
Sabemos que é peculiar às ovelhas estarem continuamente sob o cuidado do pastor e que se uma ovelha for obrigada à solidão, seus balidos denunciam o quanto é med osa e ela fica como que à procura do seu pastor e do seu rebanho. Resumindo, as ovelhas não são animais solitários. Para elas, e para os cordeiros, comer juntas, à vista daquele que as apascenta, é quase parte da própria alimentação. Ora, parece haver aqui uma mudança de cena de grande impacto. O profeta diz que os israelitas são como vacas indomáveis, pois são tão dissolutos que não há pastagem que baste à libertinagem deles; é como se uma única vaca ocupasse um pasto inteiro. “Nesse caso”, diz ele, “tão afrontosa é a desobediência desse povo que outra coisa não querem senão que se dê a cada um deles um lugar espaçoso. Sendo assim, vou lhes dar um lugar espaçoso, mas para que cada um deles seja como o cordeiro que procura ao redor e não vê nenhum rebanho ao qual se juntar”.
Oração
Concede, ó Deus onipotente, visto que em tua misericórdia te dignaste nos congregar à tua Igreja e nos cercaste nos limites da tua palavra, mediante a qual nos resguardas na verdadeira e reta adoração à tua majestade, ó concede que permaneçamos contentados nessa obediência a ti. E ainda que Satanás tente, de muitas maneiras, nos arrastar para cá e para lá, e ainda que também sejamos por natureza inclinados ao mal, ó concede, que sendo confirmados na fé e unidos a ti por esse laço sagrado, nos submetamos sempre à limitação da tua palavra e assim nos liguemos a Cristo, teu filho unigênito, que nos uniu a si mesmo para sempre, e que nunca, de modo nenhum, nos apartemos de ti, antes sejamos confirmados na fé do evangelho de Cristo, até que finalmente ele nos receba a todos no seu reino. Amém.
João Calvino, Devocionais e orações. Meditando nos Profetas Menores. cap. 1
Desposar-te-ei em fidelidade e tu conhecerás o Senhor (Os 2.20)
«Ela [Rebeca] desceu à fonte e encheu o cântaro», diz-nos a Escritura (Gn 24.16). Todos os dias Rebeca ia à fonte buscar água. E, como todos os dias passava algum tempo junto do poço, o servo de Abraão pôde encontrá-la e dá-la em casamento a Isaac. Poderíamos pensar que se trata de um conto ou de uma bela história posta na Escritura pelo Espírito Santo; mas não, trata-se de um verdadeiro ensinamento espiritual, de uma instrução dirigida à nossa alma, para a ensinar a ir todos os dias à fonte das Escrituras, às águas do Espírito Santo, tirar água sem se cansar, para levar o seu cântaro bem cheio. Era assim que Rebeca fazia; de outro modo não se teria casado com o grande patriarca Isaac.
Cristo quer desposar-nos. É a nos que Ele Se dirige através das promessas dos profetas, quando diz: «Desposar-te-ei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com amor e misericórdia. Desposar-te-ei em fidelidade e tu conhecerás o Senhor» (Os 2.20s). Portanto, querendo ser teu noivo, Cristo envia-te um servo — a Palavra inspirada. Não podes desposar Cristo sem a teres recebido. Só aqueles que sabem tirar água em abundância das profundezas do poço, os que têm uma alma que tudo faz com paciência, que está inteiramente disponível, que se aplica a ir ao mais fundo para retirar a água do conhecimento, só esses podem conhecer o noivado com Cristo.
Orígenes (c. 185-253) presbítero e teólogo - Homilias sobre o Génesis, n.º 10, 2
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo
'Vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor', diz Paulo. Como? «Acolhendo a Palavra em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo» (1Tess 1.6). As provações afetam a parte material do nosso ser; a alegria brilha nas alturas espirituais. Passo a explicar: os acidentes da vida são tristes e penosos, mas os resultados são alegres, assim o querendo o Espírito. Portanto, é possível que não nos alegremos ao sofrer, se estivermos a sofrer pelos nossos pecados, mas até deixaremos que nos flagelem com alegria, se for por Cristo (At 5.41).
É a isto que o apóstolo chama a 'alegria do Espírito'; respiramo-la naquilo que a natureza rejeita com horror. Suscitaram em vós mil penas, diz ele, fostes perseguidos, mas o Espírito não vos abandonou nessas provas. Tal como os três jovens foram envolvidos por uma suave brisa matinal na fornalha (Dn 3.24,25), vós também estais a ser provados. A brisa matinal não resultava, evidentemente, da natureza do fogo; só podia ser causada pelo sopro do Espírito. Também não está na natureza da provação alegrar-nos; essa alegria só pode vir dum sofrimento suportado por Cristo, da brisa matinal do Espírito, que transforma a fornalha da provação em lugar de repouso. "Com alegria" diz o apóstolo, e não com uma alegria qualquer, mas com uma alegria inesgotável, porque o seu autor é o Espírito.
João Crisóstomo (c. 345-407). Presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja. Homilia 1 sobre a 1.ª carta aos Tessalonicenses.
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
Estava Jesus em oração em certo lugar
Jesus «orava a sós» (Lc 9.18). A fonte da oração reside no silêncio da paz interior; é aí que se manifesta a glória de Deus (Lc 9.29). Porque, quando cerramos os olhos e os ouvidos e nos encontramos no nosso interior, na presença de Deus, quando nos libertamos da agitação do mundo exterior e nos encontramos dentro de nós próprios, então vemos claramente na nossa alma o Reino de Deus. Porque o Reino dos Céus ou, se preferirmos, o Reino de Deus, está em nós próprios: é Jesus Nosso Senhor quem no-lo diz (Lc 17.21).
No entanto, os crentes e o Senhor oram de maneira diferente. Os servos, com efeito, aproximam-se do Senhor na oração com um temor misturado de desejo, e a oração torna-se para eles viagem para Deus e para a união com Ele, alimentando-os com a sua própria substância e fortalecendo-os. Mas como orará Cristo, cuja alma santa está unida ao Verbo de Deus? Como Se apresentará o Mestre em oração, como assumirá Ele a atitude de quem pede? Mas fá-lo; e fá-lo porque, tendo revestido a nossa natureza, nos quer instruir e mostrar o caminho que, pela oração, nos faz elevar até Deus. Ele quer ensinar-nos que a oração alberga no seu seio a glória de Deus.
João Damasceno (c. 675-749) teólogo, doutor da Igreja. Homilia sobre a Transfiguração, 10.
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
Cristo, o Bom Samaritano
De acordo com um ancião que quis interpretar a parábola do Bom Samaritano, o homem que descia de Jerusalém em direção a Jericó representa o ser humano, Jerusalém representa o paraíso, Jericó representa o mundo, os salteadores representam as forças do mal, o sacerdote representa a Lei, o levita representa os profetas, o samaritano representa Cristo. As feridas simbolizam a desobediência, a montada simboliza o corpo do Senhor. [...] E a promessa de voltar, feita pelo samaritano, prefigura, de acordo com este intérprete, o segundo advento do Senhor. [...]
Este Samaritano carrega os nossos pecados (cf Mt 8,17) e sofre por nós. Pega no moribundo e condu-lo à estalagem, ou seja, à Igreja. A Igreja está aberta a todos, não recusa o seu socorro à ninguém e todos são convidados por Jesus: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11,28). Após ter conduzido o ferido, o Samaritano não parte de imediato, mas fica todo o dia na hospedaria junto do moribundo, tratando-lhe das feridas de dia e de noite, abraçando-o com dedicada solicitude. Verdadeiramente, este guardião de almas estava mais próximo dos homens que a Lei e os profetas, dando provas de bondade com aquele que tinha caído nas mãos dos salteadores, e mostrou ser o seu próximo mais pelos atos do que pelas palavras.
Diz São Paulo: «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo» (1Cor 11,1); imitemos Cristo, tendo piedade dos que «caem nas mãos dos salteadores», aproximando-nos deles, ligando-lhes as feridas, vertendo óleo e vinho sobre elas, carregando-os sobre a nossa montada e transportando-lhes os fardos. Para nos estimular, o Filho de Deus diz-nos, como disse ao doutor da lei: «Vai e faz o mesmo».
Orígenes (c. 185-253). presbítero, teólogo. Homilias sobre o Evangelho de Lucas, 34, 3.7-9
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